9 de outubro de 2008

Dreamworld

O artista belga Luc Pilmeyer faz com lápis de cor e tinta da china aquilo que estamos habituados a ver em telas pintadas a óleo. A sua obra assenta numa espécie de surrealismo cósmico com laivos psicadélicos, muito apelativa na cor e nas formas. Não resisto a deixar aqui o seu site, onde se podem apreciar algumas das suas obras. Os desenhos são melhores que as fotografias e, apesar de não serem muito grandes, dão um bom vislumbre do mundo de sonho que Pilmeyer consegue criar. Ideal para colorir a música dos Gong, Cosmic Jokers ou dos Pink Floyd entre 67-72...


6 de outubro de 2008

10 Alentejanos


A chegada de uma nova semana deixa-me sempre com a nostalgia do dolce fare niente pós-almoço de sábado à tarde... Apetece-me enumerar os últimos 10 melhores tintos alentejanos que bebi nos últimos meses, para exorcizar os fantasmas dionisíacos que me acossam. Haverão melhores certamente, mas o momento e a companhia fizeram destes néctares inolvidáveis. A beber com urgência, pois a vida é curta...


1. Pêra Manca 2003


2. Terras de Zambujeiro 2001


3. Herdade do Perdigão Reserva 2003


4. Cortes de Cima Syrah 2004


5. José de Sousa Tinto Velho 1997


6. Herdade do Peso 2003


7. Herdade Fonte Paredes Reserva 2005


8. Caladessa 2001


9. Casa de Santa Vitória Reserva 2006


10. Vinhas da Ira 2005

Poema para S. II



Não sei o que sou
Mas sou teu
Mesmo sabendo que tu já sabes
Quero-te
Quero o teu toque
Quero os teus lábios
Quero o teu amor
Abranda
Quando te cruzares comigo
Passa através de mim
Devagar
Deixa-me viver de instantes
Que mesmo supérfluos
São perpétuos
E me fazem despertar
Um olhar
Os teus olhos
Misteriosamente serenos
São um manto no frio da noite
O refúgio na tempestade
A última coisa que quero ver
Quando a morte se erguer
Eu caço pela tua pele
Passo fome pela tua boca
Não vás
Nunca vás
Não me deixes amar
Outra sem seres tu
Não me deixes pecar
Por outra sem seres tu.

5 de outubro de 2008

Poema para S.


Passa por mim outra vez
Com o teu vestido de Verão
Passa infinitamente ante os meus olhos
Até que o horizonte se perca em ti
E o mundo pare de girar para te contemplar.

Deixa-me segredar-te o quanto estás linda
Banhada pelo Sol da tarde
O desejo de possuir-te é uma ferida
Latente no meu peito
E que o teu olhar faz sangrar.

Se é isto o amor
Se és tu quem eu sempre procurei
Peço a este poema que voe até ti
E te traga para ficar.

4 de outubro de 2008

Oh Well...

O Outono chegou, sem surpresas... A noite, as ruas, serão ainda convidativas? Serão sempre, dirão alguns... Eu fico entre paredes, a deleitar-me com delírios progressivos como este dos holandeses Focus. A guitarra supersónica de Jan Ackerman e o yodel à beira do colapso de Thijs van Leer são o que mais se aproximam do meu estado de espírito actualmente. E talvez não esteja sozinho...

3 de outubro de 2008

Oh My...

Há muitas coisas que podem contribuir para melhorar uma sexta-feira. Enumerá-las é fastidioso. Especialmente quando acordamos com a vitória do Benfica ainda a latejar-nos na mente. Há coisas simples que podem tornar um dia perfeito, mesmo que seja a perfeição de um pedaço de latão banhado a ouro. A pura classe de Reyes, vencer uma equipa italiana, um treinador racional... há muito que não via tanta sobriedade no meu Benfica. Esperemos que dure. Ou, melhor ainda, que não acabe. Que estes homens sejam heróis por bem mais que um dia! Que Bowie me perdoe o sacrilégio, mas uma canção de amor pode ser um quadro em branco onde cada um pinta o que sente... Viva o Benfica!

2 de outubro de 2008

Oh No...

Nestes tempos de Euribor assustadoramente imparável e petróleo obscenamente caro, já nem a salvação norte-americana podemos esperar. O porquinho de loiça que contém a "maior economia do mundo" está rachado e esperemos que não acabe em cacos. Desta vez, não é a América que emerge prosperamente como farol do mundo. É a América que precisa de ser salva.
Velhos e saudosos tempos em que havia alguém que se insurgia, que escandalizava, que escapava à modorra vigente. Hoje, o silêncio dos bons continua a ser incompreensível perante a gritante injustiça de que são alvo. Ocorreu-me que já não há homens nem bandas como Iggy Pop e os Stooges. Pelo menos à vista. Na sombra, sem coragem nem ânimo para ousar pensar e agir, existirão muitos. Este homem que despeja manteiga de amendoim sobre o seu corpo daria um bom candidato à Presidência dos Estados Unidos. Só para que algo de novo acontecesse. Só para que a vontade de revolta e de mudança não fosse uma nota de rodapé na minha geração. No fim ganharia Obama, obviamente. A loucura tem limites. Mas é saudável saber que existe. Todos deveriam saber que o punk não nasceu na Inglaterra. Nasceu na América em 1969 com estes senhores.


Oh Yeah...

Can... Será que alguém ainda os ouve? Será que alguém os ouviu realmente? Esta peça inovadora e imortal continua a revolver os meus neurónios. Continua a ser o reflexo de uma música genial e sem compromissos onde Stockhausen, os Mothers Of Invention e os Velvet Underground parecem fundir-se para criar algo de tão novo e estimulante que, passados mais de 30 anos ainda mantém a estranheza e o deslumbramento original. A bateria do assombroso Jaki Liebezeit, o verdadeiro Mann Maschine, o baixo do mítico Holger Czukay e as vocalizações ad lib de Damo Suzuki preenchem o magnífico álbum Tago Mago. O Krautrock será sempre uma constante deste espaço, pois nunca a música denominada popular foi tão livre de amarras e aberta a novas experiências. O resultado: ARTE musical no mais puro sentido do termo, assente na sensação, no prazer da interligação e na libertação do improviso...