2 de novembro de 2008

Kosmische Kosmetik

O primeiro album de Joachim Ehrig, artisticamente conhecido como Eroc, foi lançado em 1975. Misto de guitarras e electrónica, esta obra apresenta momentos sublimes e ricos em textura e melodia. Após uma breve introdução, chega Kleine Eva, peça avassaladoramente bela na sua simplicidade e minimalismo e que, à medida que se vai revelando, nos pode transportar cada vez para mais longe ou fazer-nos retornar a um ambiente in utero. Uma autêntica miríade hipnótica de sons que funciona como uma canção de embalar cósmica e convida à meditação. Músicas como esta poderiam durar para sempre... O tom prossegue com Des Zauberers Traum, que parece suspender-nos no espaço e no tempo e faz-nos sentir como serpentes à mercê de um qualquer encantador. O encantamento quebra-se, contudo, com a chegada de Die Musik Vom "Oldberg", em que Mozart parece encarnar num sintetizador dos anos 70 e nos agarra num breve e repentino vaudeville electrónico. Surge em seguida Chaotic Reaction, interlúdio preenchido por tambores africanos frenéticos, colagens sonoras e um orgão jazzístico que irá desembocar na guitarra refrescante e planante que preenche a belíssima Norderland. Segue-se o experimentalismo de Horrorgoll, pleno de ambientes sombrios, sobreposições electrónicas e vozes sampladas, que nos confronta pela primeira vez com o sonho mau que podemos ter mesmo adormecendo no paraíso. Sternchen, faixa onde a guitarra impera novamente, parece voltar a transportar-nos para um mundo distante, fazendo-nos levitar para depois nos mergulhar num mar de reverb. Segue-se Teenage Love '69, cujo título diz tudo. Uma guitarra ensolarada e sentida provoca reminiscências de um amor há muito vivido, do mistério da descoberta de outros lábios e de outra pele, da nostalgia da perda da inocência. Talvez o mais teutonicamente parecido com saudade... E o sentimento de nostalgia prossegue com Abendfrieden, mais uma peça de música tão poderosa quanto frágil, breve mas penetrante. Ostergloingg parece tentar remendar memórias de um Verão há muito passado, soando a música feita com instrumentos quebrados e o disco chega ao fim com Andromeda, despedida feita sem preparação prévia e atabalhoada como são quase todas. Soa a partida, mas também ao princípio de algo. Algo que parece brilhar...

Poema para S. III


Se
Numa noite em que a Lua não brilhe
Te sentires triste
Não chores
Eu estarei contigo
Para secar qualquer lágrima com um beijo
Para te abraçar até que a glória da manhã nos invada

Se
Um dia ao olhares o espelho
Sentires que o tempo sulcou o teu rosto
Não o quebres
Eu estarei contigo
Para te dizer o quanto és linda
E que te amarei para toda a eternidade

Se
Numa noite em que o silêncio pese
Te sentires só
Não sofras
Eu estarei contigo
A tua cabeça no meu ombro
A minha mão nos teus cabelos
A encher-te de mil cuidados

Se
Num dia de Inverno
O gelo entrar no teu coração
Não tremas
Eu estarei contigo
Inventarei fogo para ti
Rasgarei a minha pele
E cobrir-te-ei com ela para te dar calor

Dawkins

Esta é, seguramente, a melhor peça ensaística que li este ano. Do mesmo autor, já tinha lido e apreciado bastante O Gene Egoísta, mas A Desilusão de Deus surge como uma obra sóbria, lúcida, acutilante e até bem-humorada na forma como aborda a polémica (ou talvez não?) questão dos malefícios da religião. Evolucionista e ateu convicto e militante, Richard Dawkins afirma pretender que todos os leitores da sua obra abandonem as suas religiões a favor do ateísmo. O objectivo afigura-se difícil, mas este livro é escolha obrigatória para quem se interessa por religião, para quem se interessa por ciência e para quem realmente PENSA. Aqui fica uma apresentação onde Dawkins aborda os principais fundamentos da sua teoria. Quem espera encontrar Satanás em pessoa, talvez se surpreenda ao encontrar um gentleman simpático, bem-disposto e carregadíssimo de RAZÃO...

17 de outubro de 2008

Bananaman

A música de Kevin Ayers parece sempre ter assentado no mais puro hedonismo. Membro da primeira formação dos Soft Machine, Ayers encetou uma carreira a solo no final dos anos 60, lançando o seu primeiro álbum, intitulado Joy Of A Toy, em 1969. Desde logo, a sua música deu mostras vincadas de ser uma mistura entre melodias folk bucólicas, mas carregadas de psicadelismo, e de um surrealismo irónico e, por vezes, inusitado, como se os emergentes Monty Python dessem uma ou outra dentada nas canções. Cantor do vinho, da comida, das mulheres e de outros prazeres terrenos que lhe surjam à mente, Kevin Ayers representa uma visão romantizada de um certo tipo de decadência tipicamente europeu, bem como um intérprete de canções acerca de substâncias ilícitas em tom de trovador medieval. Em álbuns divinais como Whatevershebringswesing ou Bananamour, encontramo-nos perante um festim dionisíaco nos bosques da Cornualha. Músico errante, nunca obteve o reconhecimento merecido do grande público. A sua laid-back posture nunca lhe permitiu competir por um lugar na 1ª divisão de cantautores, tal como o comprova o novo álbum The Unfairground, lançado em 2007, 15 anos depois do seu último longa-duração... Mas nada melhor para véspera de fim-de-semana que uma injecção de hedonismo em voz de barítono...

16 de outubro de 2008

Corbijn


É sabido que uma imagem vale mais que mil palavras... Caso flagrante é o de Anton Corbijn. Fotógrafo e realizador há mais de 30 anos, constitui um dos raros exemplos em que um artista não precisa de assinar a sua obra para identificar-se como autor. Basta criá-la. Convido-vos a dar uma espreitadela ao site http://www.corbijn.co.uk/ para conhecer ou voltar a apreciar o seu estilo inconfundível e de esteta por detrás da imagem de algumas das maiores bandas e intérpretes da música popular da actualidade. Este homem até conseguiu que Paul David Hewson aka Bono parecesse cool...

15 de outubro de 2008

Re-fazer, re-modelar...

Hoje recebi um e-mail que me prendeu a atenção. Tanto que decidi transcrevê-lo aqui. Foi-me enviado por um amigo e não sei quem é o autor do texto. Mas as palavras falam com tal acutilância e desconfiança acerca do mundo de hoje, que bem poderiam constituir o reflexo do pensamento de qualquer um de nós. Termino a transcrição com um exemplo paradigmático do que me apetecia que acontecesse. Seria tão bom destruir o que está podre e nos vai apodrecendo sem querermos...

3 000 000 000 000, é o número de euros que vão ser gastos a salvar da bancarrota os bancos do mundo inteiro. De facto, tivemos alguma dificuldade em perceber qual a verdadeira designação em português desta brutalidade de algarismos, mas a conclusão é de ser um total de três mil mil milhões de euros, ou como os americanos gostam de dizer, 3 triliões de euros.
Valor que chegaria para comprar todo o ouro existente à face da terra a preços de hoje e com o que receberíamos de troco ainda conseguir comprar a Suécia.
Por isto tudo devemos estar contentes, muito contentes. Queixamo-nos sempre de temros políticos que nunca fazem nada e afinal, mesmo no seio da maior crise financeira de sempre, eles fizeram alguma coisa. Não percebemos muito bem o quê nem para quê, mas certo é que algo foi feito.
Resta então saber de onde virá esta quantia inaudita que felizmente nos salvará a todos de sermos obrigados a assistir ao triste espectáculo de vermos banqueiros a lavar pratos em restaurantes ou a pedir na Rua do Carmo.
Existem três fontes possíveis e dessas três duas parecem-nos inviáveis. Aumentar os impostos para conseguir tal barbaridade de dinheiro só se vendessemos todos a nossa alma ao diabo, isto é, ao estado e deixassemos de nos alimentar durante centenas de anos, o que não parece ser uma hipótese, embora vontade não devesse faltar pelas bandas de quem anda na política.
Pedir emprestado é também um contrasenso pois não haveriam ninguém a quem o fazer.
Resta apenas uma única solução que é a de imprimir mais notas, se necessário colocar as tipografias a rolar 24 horas por dia até satisfazer as necessidades do mercado, perdão, dos banqueiros. Parece-nos este ser o mais lógico caminho a tomar, levando-nos inexoravelmente ao aumento brutal da inflação quer aqui quer nos EUA. De facto, deste modo, o colapso do dólar que para muitos parecia afastado volta a surgir como um cenário bastante provável . Deixemos pois passar o período das eleições americanas e veremos o que vai acontecer.

Depois deste mistério resolvido nas nossas cabeças, vem outra pergunta de algibeira. Afinal qual a razão de ser preciso este dinheiro para salvar banqueiros?
Com a economia a colapsar, famílias inteiras sem conseguir pagar as suas contas, a criminalidade a subir em flecha e o desemprego sem dar sinais de tréguas, porque raio é que é assim tão importante salvar os bancos?
Dizem-nos então lá de cima que a teoria desta jogada é a de encorajar novamente os bancos a emprestarem dinheiro e assim não estagnar toda a economia que do crédito depende. É esta a história oficial e por uma vez na vida nós acreditamos nos políticos.
Bastou aos banqueiros deixarem de emprestar dinheiro para activar o modo de pânico dos políticos que por sua vez entregaram gratuitamente dinheiro a rodos para que nas próximas eleições ninguém seja acusado de fazer encolher a sua economia. Portanto, trocado por miúdos, os banqueiros deixaram de emprestar dinheiro, fazendo de reféns toda a economia mundial e apenas voltando à sua actividade normal quando os políticos em pânico de perderem popularidade nos seus respectivos países pagaram o resgate que os banqueiros bem entenderam, neste caso, os 3.5 triliões de dólares.
Pensando bem na forma como esta extorsão vai beneficiar os Zés e os Silvas que precisam de pagar as suas contas e não têm dinheiro, a conclusão é simples: não vai.
Às palavras de ordem de que é preciso salvar os banqueiros urgentemente, respondemos que o mundo não são só gordos banqueiros, mas também o cidadão comum que se vai contentar com míseras ajudas e com a quase garantia de que não vai perder tudo. E a PJ não investiga.
A juntar-se ao coro de economistas e políticos do sistema que insistiam em atirar a culpa para o cidadão comum que fosse levantar as suas poupanças e colocá-las debaixo do seu colchão, também os opinion-makers da nossa TV se esforçaram ao máximo em culpabilizar o mero cidadão que entrasse em pânico, dizendo que o sistema colapsaria devido à estupidez de alguns que resolveram salvar as poupanças que tanto custaram a ganhar.

Disseram-nos que deveríamos confiar no sistema bancário cegamente com as nossas poupanças, e que se não o fizessemos poderíamos ser acusados de traição à pátria por precipitar o colapso do sistema financeiro nacional.
Mas ninguém disse que o problema inicial, e pelo qual todos temos de pagar triliões dos nossos bolsos para o resolver, foi o de os próprios bancos não confiarem uns nos outros com os seus recursos. Se os bancos não confiarem uns nos outros são presenteados com o nosso dinheiro de borla, se por essa mesma razão nós não confiarmos nos bancos, podemos até ir parar à prisão, como aconteceu com algumas pessoas que falaram abertamente do possível colapso de um ou outro banco.
Contra a corrente afirmamos que quer haja ou não motivos para isso, devemos poder levantar as nossas economias a qualquer momento, o dinheiro é nosso e é por isso um direito que nos deve assistir. E devemos poder faze-lo sem quaisquer sentimentos de culpa pelo possível colapso do sistema mal amanhado de ínicio.
Alertamos pois para uma falha gravíssima do sistema que poucos se apercebem e que quando chegar ao domínio público, amanhã ou daqui a 300 anos, pode quase decerto arruinar por completo a estrutura bancária mundial. Esta falha deve-se a algo que é endémico ao sistema desde a sua concepção, quando os banqueiros não passavam de cambistas nos finais do século XVIII.
Cada banco tem por obrigação ter por reservas efectivas em dinheiro cerca de 10% do capital que tem a girar no mercado. Para os mais desatentos, este número pode significar que os bancos, na sua totalidade, devem possuir em reservas monetárias um mínimo de cerca de 10%. Nada mais longe da verdade.
É que de cada vez que um banco empresta dinheiro, e, grosso modo, pode faze-lo até um total de 9 vezes mais do que as suas reservas mínimas, gera um depósito noutra instituição bancária, que vai contar para as suas próprias reservas mínimas.
Em linguagem acessível, se todos pensávamos que eram os governos e os bancos centrais que decidiam criar ou não dinheiro, este sistema revela-nos que isso assim não se passa.

Imaginemos um banco A que tem de reservas 100, logo poderá emprestar até 1000, o que significa que "criou" 900 unidades de moeda com autorização do banco central. Só que estes 900 vão ser emprestados a clientes que os vão usar para variados fins, como comprar casa ou ir ao jardim zoológico. Então, estes 900 passam da conta dos clientes do banco A para as contas das pessoas a quem estes compraram as coisas, possivelmente num banco B.
Logo, estes 900, criados do nada, vão servir de reservas reais para os outros bancos, como no banco B, que por sua vez poderá emprestar mais nove vezes o seu total. Rapidamente, estes 900 se tornam em 9000, pois são reservas reais dos bancos B e que sucessivamente podem ser depositados nos bancos C, gerando 90000 de crédito. Tudo isto com apenas 100 unidades efectivamente criadas com autorização.
Este é o problema actual, existe muita coisa virtual e pouca real.
Quando o crash e a grande depressão de 1929 aconteceram, apenas 0,1% da economia era virtual, sendo os outros 99,9% reais da economia produtiva, como fábricas, agricultura, etc.
Hoje em dia, numa crise que parece já ser bem mais grave do que a destes remotos tempos, a situação inverteu-se por completo e menos de 0,1% pertencem à categoria de bens reais. Podemos então imaginar a cascata de colapsos que se podem esperar no futuro próximo.
As próximas crises a atingirem como um relâmpago virão do sector de derivados, automóvel e segurador.
Infelizmente a questão já não é saber se a crise chegará ao cidadão comum com a mesma violência de tempos mais idos, mas sim saber quando é que isso vai acontecer.
Entretanto, e com tantas impressoras de fazer notas a funcionar, achamos que o dólar vai rapidamente voltar ao lugar de onde saiu há poucos meses, o fundo.


9 de outubro de 2008

25 Sons para o Outono


Uma mão-cheia de álbuns intemporais e/ou melancólicos e/ou introspectivos para a estação dourada de 2008. A escolha é eclética e subjectiva, a ordem é aleatória, todos são magníficos...

1. Beth Gibbons & Rustin' Man - Out Of Season

2. David Sylvian - Secrets Of The Beehive

3. Nick Drake - Five Leaves Left

4. Red House Painters - Red House Painters (1993)

5. This Mortal Coil - Filigree & Shadow

6. Cocteau Twins - Treasure

7. Klaus Schulze - Timewind

8. Interpol - Turn On The Bright Lights

9. Pearls Before Swine - Balaklava

10. John Cale - Paris 1919

11. Scott Walker - Scott III

12. Talk Talk - Laughing Stock

13. Brian Eno - Another Green World

14. Joy Division - Unknown Pleasures

15. Bonnie "Prince" Billy - I See A Darkness

16. Radiohead - OK Computer

17. David Bowie - Low

18. Robert Wyatt - Rock Bottom

19. Walter Wegmüller - Tarot

20. Dead Can Dance - Spleen And Ideal

21. Peter Hammill - Over

22. Sigur Rós - Ágaetis Byrjun

23. Leonard Cohen - New Skin For The Old Ceremony

24. Tangerine Dream - Stratosfear

25. Dom - Edge Of Time

Enofilia

Brian Eno, ou se preferirem o nome completo, Brian Peter George St. John le Baptiste de la Salle Eno, é um génio. Pelo menos para mim. Longe vão os tempos em que este não-músico assumido envergava plumas e lanteloujas e assegurava a estranheza e o experimentalismo sonoro nos Roxy Music. O verdadeiro Man From Mars do início da década de 70...
Desde então, e exceptuando alguns trabalhos bombásticos como produtor (o que seria dos U2 sem ele?), Eno tem-se tornado o maior expoente da "música discreta". Elemento fulcral na procura de novas linguagens e de novas possibilidades musicais, a sua busca tem-no levado nos últimos anos ao conceito de música concebida para computadores - Música Generativa.
Caí na tentação de colocar aqui um ensaio e uma entrevista, ambos do século passado, mas sempre à frente das tendências vigentes, em que Eno disseca o seu trabalho e algumas temáticas pertinentes da música moderna. E este homem sabe sempre muito bem o que diz, ou não fosse ele o autor da célebre citação "Culture is everything that you don't have to do."...


Dreamworld

O artista belga Luc Pilmeyer faz com lápis de cor e tinta da china aquilo que estamos habituados a ver em telas pintadas a óleo. A sua obra assenta numa espécie de surrealismo cósmico com laivos psicadélicos, muito apelativa na cor e nas formas. Não resisto a deixar aqui o seu site, onde se podem apreciar algumas das suas obras. Os desenhos são melhores que as fotografias e, apesar de não serem muito grandes, dão um bom vislumbre do mundo de sonho que Pilmeyer consegue criar. Ideal para colorir a música dos Gong, Cosmic Jokers ou dos Pink Floyd entre 67-72...


6 de outubro de 2008

10 Alentejanos


A chegada de uma nova semana deixa-me sempre com a nostalgia do dolce fare niente pós-almoço de sábado à tarde... Apetece-me enumerar os últimos 10 melhores tintos alentejanos que bebi nos últimos meses, para exorcizar os fantasmas dionisíacos que me acossam. Haverão melhores certamente, mas o momento e a companhia fizeram destes néctares inolvidáveis. A beber com urgência, pois a vida é curta...


1. Pêra Manca 2003


2. Terras de Zambujeiro 2001


3. Herdade do Perdigão Reserva 2003


4. Cortes de Cima Syrah 2004


5. José de Sousa Tinto Velho 1997


6. Herdade do Peso 2003


7. Herdade Fonte Paredes Reserva 2005


8. Caladessa 2001


9. Casa de Santa Vitória Reserva 2006


10. Vinhas da Ira 2005

Poema para S. II



Não sei o que sou
Mas sou teu
Mesmo sabendo que tu já sabes
Quero-te
Quero o teu toque
Quero os teus lábios
Quero o teu amor
Abranda
Quando te cruzares comigo
Passa através de mim
Devagar
Deixa-me viver de instantes
Que mesmo supérfluos
São perpétuos
E me fazem despertar
Um olhar
Os teus olhos
Misteriosamente serenos
São um manto no frio da noite
O refúgio na tempestade
A última coisa que quero ver
Quando a morte se erguer
Eu caço pela tua pele
Passo fome pela tua boca
Não vás
Nunca vás
Não me deixes amar
Outra sem seres tu
Não me deixes pecar
Por outra sem seres tu.

5 de outubro de 2008

Poema para S.


Passa por mim outra vez
Com o teu vestido de Verão
Passa infinitamente ante os meus olhos
Até que o horizonte se perca em ti
E o mundo pare de girar para te contemplar.

Deixa-me segredar-te o quanto estás linda
Banhada pelo Sol da tarde
O desejo de possuir-te é uma ferida
Latente no meu peito
E que o teu olhar faz sangrar.

Se é isto o amor
Se és tu quem eu sempre procurei
Peço a este poema que voe até ti
E te traga para ficar.