Se ao menos o tempo voltasse
A todo o tempo que perdi
Em que não te conhecendo
Pouco ou nada conheci
Talvez esse tempo esquivo
Me deixasse cobrir-te de rosas
Antes que a Terra girasse
Trazendo as trevas de volta
E eu de ti me afastasse
Sem nunca poder ficar.
Se ao menos o tempo parasse
No raiar do teu sorriso
E todos os dias nascessem
Na aurora do teu olhar
Podia viver exilado
Numa carícia distante
Só para te poder contemplar
Pois vejo o mundo nos teus olhos
Tal como vejo os teus olhos
Em qualquer parte do mundo.
Se ao menos o tempo voasse
Até à hora da minha morte
E já não me encontrasse neste corpo
Dorido pela sorte
De não poder tocar o teu
A minha alma negaria o paraíso
E fugiria do inferno
Para viver eternamente no teu puro coração
Que sem saberes seria meu...
A todo o tempo que perdi
Em que não te conhecendo
Pouco ou nada conheci
Talvez esse tempo esquivo
Me deixasse cobrir-te de rosas
Antes que a Terra girasse
Trazendo as trevas de volta
E eu de ti me afastasse
Sem nunca poder ficar.
Se ao menos o tempo parasse
No raiar do teu sorriso
E todos os dias nascessem
Na aurora do teu olhar
Podia viver exilado
Numa carícia distante
Só para te poder contemplar
Pois vejo o mundo nos teus olhos
Tal como vejo os teus olhos
Em qualquer parte do mundo.
Se ao menos o tempo voasse
Até à hora da minha morte
E já não me encontrasse neste corpo
Dorido pela sorte
De não poder tocar o teu
A minha alma negaria o paraíso
E fugiria do inferno
Para viver eternamente no teu puro coração
Que sem saberes seria meu...
Persistent Repetition Of Phrases do britânico James Kirby a.k.a. The Caretaker é um devaneio musical fascinante. Escutar este álbum onírico e hipnótico é como olhar uma velha fotografia amarelecida pelo tempo e vê-la arder lentamente; é como assistir a um romântico film noir dos anos 40 e ficar preso infinitamente numa das cenas. O tempo não passa por aqui, quanto muito arrasta-se pelo passado numa espiral circular e contínua. O som de velhos discos de vinil, acompanhados do devido scratch, sobrepõe-se e contrapõe-se, sucessivamente, criando uma atmosfera minimal e emocionalmente surrealista. As melodias, jazzísticas, kitsch, ou somente etéreas, mas sempre contidas, impõem-se suave e repetidamente, transportando-nos numa vaga lenta e involuntária para nostalgias e memórias. Apetece olhar o mar num dia cinzento, abrir um baú cheio de recordações antigas ou beijar Ingrid Bergman com os lábios de Humphrey Bogart. Mais que música, este album cria ambiências e evocações, molda o passado com um barro futurista. Materializações do trecho que há muito tempo escutámos e do qual só retemos uma parte, que fazemos ecoar na nossa mente até empalidecer. Estas molduras sonoras são balsâmicas e penetrantes, mas parecem ao mesmo tempo tão longínquas que é impossível alcançá-las.






