Um dos mais originais e inteligentes projectos a sair do submundo pop lusitano, os portuenses Repórter Estrábico existem (?) intermitentemente desde finais dos anos 80. Há muito sem o mercurial contributo do carismático e impagável António Olaio (é impossível esquecer a presença em palco e as coreografias que acompanhavam temas como Disco Heavy ou Tubarão), a banda aparenta subsistir, mas sem nada de novo a dizer desde Eurovisão, álbum de 2004.
António Olaio, o performer, pintor, professor e etc., tem levado a cabo uma carreira musical periférica em conjunto com João Taborda. O duo lança discos embebidos, maioritariamente, em poesia surreal e country & blues desconcertante, com grande poder imagético. Os Repórter Estrábico, liderados actualmente (?) por Luciano Barbosa (o campino cool da foto acima), sempre se caracterizaram pela pop electrónica inteligente, quer ao nível das letras plenas de referências e sátiras à cultura de massas, quer ao nível das melodias versáteis e dançáveis. Fazem vídeos de sarcástica excelência e possuem a irreverência e a ironia certeira dos homens do Norte. Se não dessem a cara, podiam ser os nossos Residents. Deviam voltar para pôr desordem nisto. Ainda por cima são generosos: em http://www.reporterestrabico.com/ podemos ouvir cada álbum por inteiro, acompanhado das respectivas estrofes.

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Känguru é o terceiro tomo da vasta e dispersa discografia dos Guru Guru. Após o extremismo alucinogéneo de UFO (1970) e as aventuras free-form de Hinten (1971), este disco de 1972 encontra o colectivo alemão em territórios mais concisos e formais, se bem que mantendo algumas conexões neuronais ao passado psicotrópico. Desde sempre liderados pelo baterista e vocalista Mani Neumeier, músico com provas dadas na cena free jazz europeia desde os anos 60, os Guru Guru são mais uma das bandas que borbulham no caldeirão do krautrock, mas que encerram outros tesouros escondidos para além da rotulagem.

