29 de fevereiro de 2012

Kosmische Kosmetik XXXIII

Se dúvidas subsistissem acerca da importância da fugaz existência dos Dzyan, Electric Silence existe para dissipá-las. O terceiro álbum da curta discografia do colectivo alemão, sucessor do mui celebrado Time Machine, é um cheio e colorido exemplo da salada sonora que nutria muitas bandas germânicas dos anos 70.
Psicadelismo de inspiração californiana, space rock, abundância de jazz e afluências étnicas são os ingredientes principais deste composto. Totalmente instrumental, o disco de 1975 dos Dzyan é uma mistura de sensação e razão, um híbrido entre a música livre de amarras e as amarras do virtuosismo.
Back To Where We Come From parece um OVNI que aterra no coração de uma floresta virgem, desbravando a folhagem e a calma selvagem com ondas eléctricas e vibrações jazzísticas. A Day In My Life  lembra o título do enorme tema dos Beatles, mas o conteúdo não podia ser mais díspar. Rodopio de cítaras e ritmo extático, traz à baila o costumeiro ideário indo-cósmico, tão querido por algumas bandas deste período e (aqui particularmente) tão bem emulado. A extravagância assenta arraiais em The Road Not Taken. O nome diz tudo. Aqui não há nada a associar a uma estrada, quanto muito um trilho adverso a caminhantes, um atalho musical extremo e inesperado a cada esquina. A tortuosa travessia desemboca em Khali e, com ela, retornam as cítaras e emerge uma espiritualidade exótica, reminiscente dos Popol Vuh.
For Earthly Thinking é a peça mais expansiva de Electric Silence. Ritualística e intrincada, expele ecos de cerimónia budista sob o efeito de alucinogéneos. Arrasta-se por estranhas passagens e culmina num clímax de  jazz arreganhado. O tema-título chega no fim, miscelânea psicadélica entregue a devaneios de guitarra e improvisos sincopados. Difícil de ouvir, como tudo o resto neste disco, mas singularmente apelativo. Electric Silence é coisa para nos aproximarmos com cuidado, mas de ouvidos bem abertos...

10 de fevereiro de 2012

Rave Back


Em noite de frio glacial, nada como lembrar tempos quentes. De Verões sem fim e splashes de cor derramados como latas de tinta. O elixir da eterna juventude que se bebeu na fugaz era da Madchester. 
Manchester era uma cidade mais cinzenta que o Barreiro. De repente, graças ao génio de indivíduos como visionário patrão da Factory Records Tony Wilson e à música contagiante e viva de bandas como os gloriosos Stone Roses, os intoxicantes Happy Mondays, a cidade estava no centro do mundo. Foram quatro anos que mudaram uma geração, as festas, as roupas, as drogas e em que o rock começou a ser dançante bebendo das celebratórias raves. As saudades nunca partem, mas é sempre possível reavivar memórias...

 

Estilo de Vício


A revista Vice atravessa actualmente o seu período de adolescência. O que acaba por ser irrelevante numa publicação que sempre se caracterizou por grandes doses de irreverência e a dose q.b. de controvérsia. Nascida no Canadá em 1996, a Vice espalhou-se pelo mundo, ao mesmo tempo que se manteve gratuita. Portugal tem igualmente a sua delegação, sediada no Porto.
A cultura pop em todas as suas facetas constitui o móbil principal da revista. Mas é o lado underground que se destaca sempre, na música, no cinema, na fotografia e em todas as outras temáticas abordadas. A Vice possui igualmente uma pequena editora discográfica - a Vice Records - que editou, entre outras, gravações dos sempre recomendáveis Black Lips e Death From Above 1979. Um canal próprio de televisão online, de nome VBS.tv, opera desde 2007, funcionando como uma extensão dos assuntos que dominam a publicação escrita e espraiando-se por temas políticos e da actualidade. Como sempre, o estilo é muito próprio e o tipo de jornalismo transcende as normas do género.
Feita de e para um público alternativo, hipster (se é que isso ainda existe...), crítico e esclarecido, a Vice continua a ser uma colorida brisa primaveril no Inverno monocromático da cultura corporativa.

9 de fevereiro de 2012

Ressonância Magnética



Imagine a radio station like no other. A radio station that makes public those artworks that have no place in traditional broadcasting. A radio station that is an archive of the new, the undiscovered, the forgotten, the impossible. That is an invisible gallery, a virtual arts centre whose location is at once local, global and timeless. And that is itself a work of art. Imagine a radio station that responds rapidly to new initiatives, has time to draw breath and reflect. A laboratory for experimentation, that by virtue of its uniqueness brings into being a new audience of listeners and creators. All this and more, Resonance104.4fm aims to make London’s airwaves available to the widest possible range of practitioners of contemporary art.
Resonance104.4fm is the world’s first radio art station, established by London Musicians’ Collective. It started broadcasting on May 1st 2002. Its brief? To provide a radical alternative to the universal formulae of mainstream broadcasting. Resonance 104.4 fm features programmes made by musicians, artists and critics who represent the diversity of London’s arts scenes, with regular weekly contributions from nearly two hundred musicians, artists, thinkers, critics, activists and instigators; plus numerous unique broadcasts by artists on the weekday “Clear Spot”.

Este é o manifesto de intenção de uma das melhores rádios da actualidade, a londrina Resonance FM. Pouco mais se pode acrescentar à política da emissora, senão realçar a qualidade das temáticas. Desafiante e abrangente, a oferta programática da rádio abraça os estilos mais variados e díspares, exibindo rubricas dedicadas ao dub, ao metal mais extremo e à música contemporânea, entre muitas outras possibilidades extra-musicais. E é, em absoluto, música para os nossos ouvidos saber que tudo está ao alcance de um click aqui...

8 de fevereiro de 2012

Acid Heirs

Muito pouco se sabe dos Liquid Sound Company. Apenas que são texanos, filhos bastardos de John Perez - guitarrista dos metaleiros Solitude Aeternus - e praticantes de música baptizada com ácido lisérgico. Desde o primeiro álbum que transmitiram a ideia de serem uma aparição fugaz, mas eis que já editaram três. Em 16 anos...
Ainda existem doidos assim. Gente que revisita os labirintos psicadélicos e se perde lá dentro com gozo. Os Liquid Sound Company não fazem a coisa por menos e dedicam-se a dar continuidade ao space rock dos Hawkwind e Pink Floyd e à acidez flower power mais introspectiva. O primeiro disco data de 1996, intitula-se Exploring the Psychedelic e a capa tem-no escrito na testa.
O cenário expande-se em guitarras que oscilam entre tranches planantes e zunidos fuzz, mística oriental e viagens estelares sem partida nem destino. A levitante Let the Incense Drift e a deliciosa Golden Gate '67 são uma boa montra da forma como esta trupe trata as guitarras, a primeira com dolência, a segunda com encanto eléctrico. A Splash of Color e Ride the Coaster Pyramid são os temas mais directos, rock elaborado e melódico, mas envolto em loucura controlada. Loucura que se torna desbragada em Swallow, sucedâneo trippy do stoner rock. Mas as maiores explorações psicadélicas são os fantásticos Mesmerizing the Eye e Sadhana Siddhi. Longos e penetrantes, elementos orientais brotam e florescem, baixando-nos as resistências e obrigando-nos a seguir a sua hipnótica odisseia.
Novo álbum só surgiria em 2002. Se o título e a capa intuem que os Liquid Sound Company não mudaram, o conteúdo chacina qualquer delator. Inside the Acid Temple ataca uma vez mais em todas as frentes, começando em Cubehead (que parece misturar Hawkwind e Queens of the Stone Age), passando por The Art of Ecstasy (mais guitarras tratadas com paixão) e terminando no transe rítmico e minado por efeitos externos do tema-título. Tal como no primeiro registo, a voz assemelha-se estranhamente a um Iggy Pop intoxicadamente introspectivo e o belo desempenho nas seis cordas remete para outro herói do psicadelismo moderno, o brilhante japonês Michio Kurihara.
O resto continua a oscilar entre o físico (The Gospel According to Robert A. Hull) e o espiritual (Unfolding). Basta olhar para títulos hiperbólicos como The League for Spiritual Discovery Lives ou Preparation for the Psychedelic Eucharist para descortinar o que se passa dentro do templo ácido. E o que decorre é uma cerimónia bela, mas que nem todos conseguirão experienciar...
Quando se pensava que o nome Liquid Sound Company tinha desaparecido tão rápida e misteriosamente como tinha surgido, eis que os norte-americanos retornam em 2011 com outro meteorito. Acid Music for Acid People é um nome que lhe cai bem. E é o disco mais pesado até agora, uma catadupa de temas crús mas com todos os nutrientes da sonoridade do grupo intactos. Guitarras que soam a cítaras, bateria que soa a tambura, efeitos do arco da velha e sons que não se sabe bem de onde vêm, mas que parecem ser de uma galáxia distante. Morning Sun é a única composição que não excede os seis minutos de duração. Um interlúdio mínimo e cintilante, que contrasta com as desmedidas carburações ácidas de Liquid Sound Freedom Agitation Free. Um álbum que detém uma música com este nome nunca pode ser mau, mesmo sendo Acid Music for Acid People feito à base de outtakes e temas antigos. Altera a mente, mas sem efeitos danosos. Afinal, as iniciais da banda não são LSD, mas sim LSC...

6 de fevereiro de 2012

O Abraço da Noite

A noite cai e os mistérios adensam-se. As públicas virtudes cedem aos vícios privados. O que dantes era inócuo  torna-se assustador após ser tomado pelas sombras. As ruas esvaziam-se, tornando-se corredores fantasmagóricos a céu aberto. O único calor provém do néon despersonalizado. Entre-se num carro e acenda-se um cigarro. Conduza-se sem destino pelas artérias nuas da cidade nocturna. Olhe-se de soslaio para portas abertas que dão para um vácuo de luz vermelha; para luzes azuis que banham apartamentos incógnitos. Mergulhe-se no escuro, sem outra companhia que não seja um som que nos molde e verga à sua alienante desolação urbana: o som dos Bohren & der Club of Gore e do seu Sunset Mission (2000).
Aqueles que antes fervilhavam de energia em grupos hardcore alemães, fecharam-se no casulo de um jazz negríssimo, que percorre ruas desconfiadas rumo ao bar mais fumarento e inacessível da nossa fértil imaginação. Nos dois primeiros discos da banda, Gore Motel e Midnight Radio, foi possível ouvir guitarras. A partir daqui, emergiu um quarteto de saxofone, piano, baixo e bateria, a tocar jazz como se fosse doom metal. Denso como basalto e escuro como uma noite em que a Lua se limitou a ser voyeur oculta por um manto de nuvens carregadas, Sunset Mission coloca a atmosfera de Mullholand Drive na lugubridade de Blade Runner. Peças longas arrastam-se pela noite interminável e opressiva. Uma noite soturna, mas igualmente sedutora, feita de olhos que se fixam em câmara lenta e vultos que se insinuam na escuridão protectora. De Prowler a Dead End Angels, passando por Midnight Walker ou Nightwolf, as diferenças são poucas, uma discreta soma de subtilezas laborada para um todo de ambiências arrastadas mas pungentes. Um jazz noir que convida à vadiagem solitária fora de horas, fora de portas, à introspecção que se encontra no fundo de um copo de whisky e no aproximar da chama a um cigarro adormecido. Um trago mais profundo e é provável que a languidez entorpecente da música faça o Diabo soprar ao ouvido a sua língua sibilina e o que foi introspecção passe a ser tentação... O pecado não mora ao lado. Mora aqui.

Enologia


Brian Eno é um dos nomes mais consensuais e influentes no espectro musical dos últimos 40 anos. E o mais pitoresco é que o britânico nunca foi um músico. Descrever a vida de uma personagem tão intrigante e fascinante não é tarefa fácil, mas foi o propósito a que David Sheppard se lançou em On Some Faraway Beach: The Life and Times of Brian Eno.
Obra cujo título nomeia uma das mais belas e expansivas criações de Eno, presente no seu disco de estreia, Here Comes The Warm Jets, este tomo constitui uma leitura interessante e um poderoso retrato de uma existência lendária. Aparece-nos recheado de histórias que todo o melómano instruído conhece mas nunca se cansa de relembrar, assim como de peripécias e pormenores sumarentos mas ocultos para a maioria dos seus seguidores. Rica em detalhes e abrangente no percurso narrado, On Some Faraway Beach é uma biografia pessoal e artística mais que recomendável e que honra em absoluto o génio extraordinário de Brian Eno.

2 de fevereiro de 2012

Leonard Cohen A.C.

Antes das canções, Leonard Cohen era apenas um escritor. Um poeta ainda por consumar a sua união com a música. Agora que o digníssimo Old Ideas, a mais que provável despedida discográfica do canadiano chega aos escaparates, porque não olhar para trás, muito para trás, e recordar o homem no tempo em que era movido apenas pelas palavras?
Em 1965, ano do filme documental Ladies and Gentlemen... Mr. Leonard Cohen, a sua escrita era já relativamente famosa. Constavam da sua obra literária antologias poéticas como Let Us Compare Mythologies e romances como The Favorite Game. A película traça um retrato descontraído e informal de Cohen, algo idiossincrático relativamente ao imaginário solene e melancólico que a maioria idealiza. Em vários momentos, descobrimos até o talento cómico à solta do criador de Songs of Love and Hate. Porque Leonard Cohen não se esgota na música e porque as palavras foram sempre o núcleo das suas canções, este documentário é um retrato de vivacidade.

31 de janeiro de 2012

Capitania


Já passou mais de um ano desde o falecimento de Captain Beefheart. Mais um motivo para recordar um imortal. The Artist Formerly Known As Captain Beefheart é um pequeno mas belíssimo documentário que traça o percurso de Don Van Vliet desde o despontar musical até ao ocaso dos palcos e dos discos para abraçar de vez a pintura. O amigo de infância e errante companheiro de percurso Frank Zappa foi um dos ilustres participantes, assim como vários intervenientes da estrondosa Magic Band. Outro imortal ficou encarregue da narração: John Peel, o melhor arauto de sempre das boas novas musicais. Now, let's get booglarized again!




30 de janeiro de 2012

Kosmische Kosmetik XXXII

O berlinense Zodiak Free Arts Lab foi um dos míticos locais em que a música alemã inflectiu para a pós-modernidade. A atmosfera de psicadelismo underground impregnava as paredes e o espaço encontrava-se pejado de instrumentos para livre utilização dos frequentadores. O experimentalismo e o improviso eram fomentados e a casa serviu de rampa de lançamento para muitos nomes incontornáveis do krautrock, tais como Ash Ra Tempel, Agitation Free e, acima de tudo, Tangerine Dream.
Para além do futuro Cluster Hans-Joachim Roedelius, o recentemente malogrado Conrad Schnitzler foi um dos fundadores do Zodiak. Juntamente com Wolfgang Seidel e o engenheiro de som Klaus Freudigmann, Schnitzler formou os embrionários Eruption, plantando, em 1970, uma das sementes mais obscuras e radicais da kosmische musik e que veria a luz do dia somente em 2006.
Eruption é construído nas ruínas de uma Alemanha devastada pela guerra e dominado por ambiências industriais e pós-apocalípticas. A expansividade cósmica que Schnitzler conseguiu pela mesma altura em Electronic Meditation, o primeiro álbum dos Tangerine Dream, é aqui substituída pelo caos controlado do experimentalismo licencioso. O som é inóspito e agressivo, investindo como uma nuvem negra carregada de ecos e distorções, ritmos despedaçados, borrascas de guitarra, violino espectral e vozes inumanas.
Os sete temas que compõem o disco não possuem nome próprio e são indivisíveis do todo desta equação sonora. Um longo e frio manto cinzento cobre o ouvinte, como uma viagem em primeira classe pela desolação. Ao invés das flutuantes e hipnóticas sagas cósmicas do futuro, foram a electrónica punk e arquitectura industrial que começaram a ser desenhadas aqui. Lambidas as feridas, o espaço seria a fronteira final para a sublimação...

28 de janeiro de 2012

Voz Baixa

Para além dos seus seis filhos, Karlheinz Stockhausen foi considerado o pai da música electrónica e da música espacial, bem como um dos maiores vultos revolucionários da música contemporânea. Personagem sempre polémica e nunca consensual, levou o seu génio inequívoco a patamares próximos da loucura e da megalomania. Os seus detractores afirmam que o que ele produziu não pode ser entendido como música; os seguidores apontam que não haveria modernidade sem as suas arrojadas e transgressoras composições. As estranhas percepções de Stockhausen nunca foram igualmente discretas, ficando conhecidas tiradas como o 11 de Setembro ter sido a maior obra de arte jamais concebida ou ele próprio ter origem extraterrestre, sendo a sua música ponte de comunicação com civilizações para lá do nosso Sistema Solar...
Da vastíssima paleta do compositor alemão, retiro hoje uma das peças mais esparsas e frugais. Stimmung, de 1968, é uma obra feita para seis vocalistas e seis microfones. Encontra-se dividida em 51 pequenas secções, que raramente excedem os dois minutos de duração. Em cada uma delas, um solista incia um fragmento de melodia a que os outros se procuram juntar. Logo que a consonância seja alcançada, é a vez de outra voz iniciar o mesmo processo. Na linguagem de Stockhausen, muito simples. Deuses astecas, aborígenes e gregos são nomeados ao longo dos excertos, entremeados com poemas de amor do próprio compositor. A história de Stimmung começa numa viagem ao México, onde Stockhausen vagueou pelas ruínas das civilizações pré-colombianas, inspirando-se e tornando-se um dos seus. De volta a uma pequena casa de praia nos Estados Unidos, as memórias da experiência transformaram-se em música. O Inverno era rigoroso e o trabalho de composição guardado para a noite. Com a mulher e os dois filhos pequenos perto, Stockhausen laborava em surdina, o que resultou no registo baixo e nocturno de Stimmung. Nas palavras do autor: Nothing oriental, nothing philosophical: just the two babies, a small house, silence, loneliness, night, snow, ice (also nature was asleep): pure miracle! Felizmente há Inverno...

Clockwork Pop

Regressar ao advento da pop electrónica continua ser o regresso ao futuro. Ao futuro que nunca existiu e que residiu no imaginário de sonhadores sintetizados. O consistente documentário Synth Britannia, com a habitual chancela de qualidade da BBC, conta a história de um período agora relegado para o nicho das memórias, mas por onde passaram todos os que nasceram nos anos 70. Foi a génese da música industrial pelas mãos dos Cabaret Voltaire ou Throbbing Gristle. E a ponte para a electrónica moderna através dos Human League, Depeche Mode ou New Order. O dano colateral seriam os neo-românticos,  mas a dose de infiltração tocou a todos. E se eles transformaram a electrónica totalitária dos Kraftwerk em glamour robótico e vídeos glossy, servem agora de inspiração não pela música, mas pelo que sonharam. Quem nunca pecou que atire a primeira pedra...