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29 de fevereiro de 2016

Open Can



Provavelmente um dos concertos mais importantes da história do rock vanguardista e de laivos experimentais, a prestação ao vivo dos Can no lendário festival de Soest em 1970 continua a ser um documento assombroso. Parecemos assistir ao parto de uma nova forma de música, sendo que, ainda hoje, o poder encantatório e o arrojo artístico destes sons não perderam um suspiro do seu fôlego inovador. 
Estamos perante a formação clássica do grupo e é pouco menos que incrível assistir ao estranho entrosamento destes músicos e captar os sons únicos e misteriosos que emanam dos seus instrumentos. Felizmente tudo isto está disponível e a dádiva tem um valor incalculável.


       

11 de dezembro de 2013

Grande Lata



A principal característica dos Can sempre foi a espontaneidade. O próprio Holger Czukay, baixista e mentor da banda, chegou a afirmar que as composições e as actuações ao vivo do seu colectivo derivavam de criações instantâneas. E foi o improviso e o constante experimentalismo que fizeram do grupo germânico, mais que um dos porta-estandartes do krautrock, um dos projectos mais vanguardistas, subversivos e influentes do rock inteligente. Serão, juntamente com os Velvet Underground, a maior banda de culto de sempre. Mas enquanto os nova-iorquinos viram a sua projecção aumentar ao longo do tempo, a banda de Colónia sempre se moveu nas sombras, a sua música mais fácil de mencionar para impressionar que de ouvir para apreciar.
A formação clássica dos Can que, para além de Czukay, incluía Damo Suzuki, Michael Karoli, Irmin Schmidt e Jaki Liebezeit editou alguns dos discos mais futuristas e estratosféricos da década de 70. A música de Tago Mago, Ege Bamyasi ou Future Days é estranha, cerebral, hipnótica, tão imediata como depurada na sua estrutura, tão variada como repetitiva em termos rítmicos. É a mais imperativa de ouvir, ter e venerar, se bem que os Can nunca foram desinteressantes ou vulgares. A odisseia iniciada com o imenso e intenso Monster Movie e terminada com Rite Time está repleta de passos em frente e estratégias progressistas.
Can - The Documentary propõe uma história visual da banda. Parte integrante da exaustiva Can Deluxe Box DVD editada em 2005, é o filme ideal e definitivo para conhecer os Can para além da música. Filmagens raras e históricas, excertos de antológicas actuações ao vivo e muitas entrevistas preenchem a hora e meia de imagens, que passa demasiado depressa. Apesar de tudo, o documentário condensa o essencial da singular carreira de um dos colectivos mais geniais de sempre, que não só colocou a Alemanha no mapa da música influente como revolucionou para sempre os preceitos do rock como forma de arte.

                                 

2 de outubro de 2008

Oh Yeah...

Can... Será que alguém ainda os ouve? Será que alguém os ouviu realmente? Esta peça inovadora e imortal continua a revolver os meus neurónios. Continua a ser o reflexo de uma música genial e sem compromissos onde Stockhausen, os Mothers Of Invention e os Velvet Underground parecem fundir-se para criar algo de tão novo e estimulante que, passados mais de 30 anos ainda mantém a estranheza e o deslumbramento original. A bateria do assombroso Jaki Liebezeit, o verdadeiro Mann Maschine, o baixo do mítico Holger Czukay e as vocalizações ad lib de Damo Suzuki preenchem o magnífico álbum Tago Mago. O Krautrock será sempre uma constante deste espaço, pois nunca a música denominada popular foi tão livre de amarras e aberta a novas experiências. O resultado: ARTE musical no mais puro sentido do termo, assente na sensação, no prazer da interligação e na libertação do improviso...