28 de fevereiro de 2021
Lights, Camera...Revolution!
9 de fevereiro de 2021
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6 de fevereiro de 2021
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Kosmische Kosmetik LVI
20 de janeiro de 2021
Kosmische Kosmetik LV
14 de janeiro de 2021
Peixeirada
8 de janeiro de 2021
2010-2019: A Soundtrack
Ainda não se sabe verdadeiramente quando a nova década arranca. Para uns já começou, para outros apenas terá início em 2021. Tendo como referência o New York Times (porque teria que haver uma), a década terminou em 2019. Assim sendo, não poderia deixar de elaborar a lista dos discos que mais me marcaram nos 10 anos que passaram e os que mais revisito. Provavelmente 100 álbuns serão demasiados, mas o mais difícil foi deixar de fora tanta música de qualidade, bela e arrojada, vincada nas suas raízes ou desbravando novos caminhos. Ouçamos, então, sem imperativos de ordem ou tempo.
1. LCD Soundsystem - American Dream (2017)
2. Kanye West - My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010)
3. David Bowie - Blackstar (2016)
4. Nick Cave and the Bad Seeds - Ghosteen (2019)
5. PJ Harvey - Let England Shake (2011)
6. Idles - Joy as an Act of Resistance (2018)
7. The War on Drugs - Lost in the Dream (2014)
8. My Bloody Valentine - MBV (2013)
9. Julia Holter - Have You in My Wilderness (2015)
10. Scott Walker - Bish Bosch (2012)
11. Bon Iver - Bon Iver (2011)
12. Nick Cave and the Bad Seeds - Skeleton Tree (2016)
13. Vampire Weekend - Modern Vampires of the City (2013)
14. Swans - The Seer (2012)
15. Low - Double Negative (2018)
16. Jamie XX - In Colour (2015)
17. St. Vincent - St. Vincent (2014)
18. Radiohead - A Moon Shaped Pool (2016)
19. Weyes Blood - Titanic Rising (2019)
20. The National - High Violet (2011)
21. Tame Impala - Lonerism (2012)
22. James Blake - James Blake (2011)
23. Aphex Twin - Syro (2014)
24. FKA Twigs - Magdalene (2019)
25. Sufjan Stevens - Carrie & Lowell (2015)
26. Kendrick Lamar - DAMN. (2017)
27. Julia Holter - Loud City Song (2013)
28. Sons of Kemet - Your Queen is a Reptile (2018)
29. Beyoncé - Lemonade (2016)
30. John Grant - Queen of Denmark (2012)
31. Beach House - Bloom (2012)
32. Tom Waits - Bad as Me (2011)
33. Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly (2015)
34. Lana del Rey - Norman Fucking Rockwell (2019)
35. Janelle Monáe - Dirty Computer (2018)
36. Arcade Fire - The Suburbs (2010)
37. The War on Drugs - A Deeper Understanding (2017)
38. Angel Olsen - My Woman (2016)
39. Arctic Monkeys - AM (2013)
40. Arcade Fire - Reflektor (2014)
41. Solange - A Seat at the Table (2016)
42. Mitski - Be the Cowboy (2018)
43. Frank Ocean - Channel Orange (2012)
44. The Comet is Coming - Trust in the Lifeforce of the Deep Mystery
45. Slowdive - Slowdive (2017)
46. Joanna Newsom - Have One On Me (2010)
47. Savages - Silence Yourself (2013)
48. Kendrick Lamar - good kid, m.A.A.d city (2012)
49. Kanye West - Yeezus (2013)
50. Robyn - Body Talk (2010)
51. The Weeknd - House of Baloons (2011)
52. Fiona Apple - The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (2012)
53. Grimes - Visions (2012)
54. Daft Punk - Random Access Memories (2013)
55. David Bowie - The Next Day (2013)
56. Father John Misty - I Love You, Honeybear (2015)
57. The National - Sleep Well Beast (2017)
58. LCD Soundsystem - This is Happening (2010)
59. Anohni - Hopelessness (2016)
60. Purple Mountains - Purple Mountains (2019)
61. Mount Eerie - A Crow Looked At Me (2017)
62. Sun Kil Moon - Benji (2014)
63. Tame Impala - Currents (2015)
64. D'Angelo and the Vanguard - Black Messiah (2014)
65. Beach House - Teen Dream (2010)
66. Frank Ocean - Blonde (2016)
67. Grimes - Art Angels (2015)
68. Swans - To Be Kind (2014)
69. Courtney Bartnett - Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit (2015)
70. Kamasi Washington - The Epic (2015)
71. Björk - Vulnicura (2015)
72. Nick Cave and the Bad Seeds - Push the Sky Away (2013)
73. Deerhunter - Halcyon Digest (2010)
74. FKA Twigs - LP 1 (2014)
75. Fountains D.C. - Dogrel (2019)
76. The Antlers - Burst Apart (2011)
77. Bon Iver - 22, A Million (2016)
78. Gil Scott-Heron - I'm New Here (2010)
79. Lorde - Melodrama (2017)
80. Bill Callahan - Shepherd in a Sheepskin Vest (2019)
81. Arca - Arca (2017)
82. Khruangbin - Con Todo El Mondo (2018)
83. Lana del Rey - Born to Die (2012)
84. Leonard Cohen - You Want it Darker (2016)
85. Björk - Utopia (2017)
86. Shame - Songs of Praise (2018)
87. Jlin - Dark Energy (2015)
88. St. Vincent - Strange Mercy (2011)
89. Angel Olsen - All Mirrors (2019)
90. Oneohtrix Point Never - Replica (2011)
91. Real Estate - Atlas (2014)
92. Billie Eilish - When We Fall Asleep, Where Do We Go? (2019)
93. Kate Bush - 50 Words for Snow (2011)
94. Drake - Take Care (2011)
95. The Knife - Shaking the Habitual (2013)
96. Grouper - Ruins (2014)
97. Preoccupations - New Material (2018)
98. 75 Dollar Bill - I Was Real (2019)
99. Laurel Halo - Quarantine (2012)
100. James Ferraro - Far Side Virtual (2011)
2 de janeiro de 2021
2020: A Soundtrack
2020 não foi o pior ano da minha vida. Mas foi, seguramente, o mais estranho. Vazio, paranóico e claustrofóbico. Senti falta das pessoas que mais me importam, das noites despreocupadas, dos cinemas e dos concertos. Compensei usando e abusando da praia e do mar. Mas confesso perversamente que o confinamento forçado permitiu-me ler mais que o antes permitido, ouvir mais música e ver filmes que guardava teimosamente para a "altura ideal". Este ano provou que não existem alturas ideais para nada. Somente o tempo presente. O tempo para fazer o que queremos e o que precisamos. O futuro é incerto, mas guarda sempre a esperança. O passado uma lição que não pode ser esquecida. Crendices e superstições voltaram a proclamar o fim. A ciência, mais uma vez, trouxe a razão. Quando a ciência falha, pede desculpa. Quando a religião falha, arranja desculpas. Este não será, certamente, o fim. Mas também não será o princípio de tempos beatíficos. O conflito existe, é constante. Os retrocessos ao obscurantismo igualmente, seja apregoando castigos divinos ou invocando o fantasma do fascismo. Esperemos que os seres humanos esclarecidos saibam exorcizar as trevas e a desunião.
Fiona Apple reuniu igualmente consenso, com mais uma obra onde o experimentalismo e a emoção se conjugam de forma intensa e visceral, merecendo todos os louvores que lhe foram dirigidos.
O Jazz esteve igualmente em destaque. Talvez não aquele que mais agrade aos puristas do género, mas sim através de um estilo ramificado, fusional e aventureiro, favorecendo o futurismo em detrimento do hermetismo.
9. Phoebe Bridgers - Punisher
10. Haim - Women in Music Pt. III
11. Jessie Ware - What's Your Pleasure?
12. Porridge Radio - Very Bad
13. The Strokes - The New Abnormal
14. Waxahatchee - Saint Cloud
15. Thundercat - It Is What It Is
16. Yves Tumor - Heaven To A Tortured Mind
17. Beatrice Dillon - Workaround
18. Destroyer - Have We Met
19. Taylor Swift - Folklore
20. Jarv Is... Beyond the Pale
21. Tame Impala -The Slow Rush
22. Moses Boyd - Dark Matter
23. Róisín Murphy - Róisín Machine
24. The Weeknd - After Hours
25. Run the Jewels - RTJ4
26. Nubya Garcia - Source
27. The Flaming Lips - American Head
28. Bill Callahan - Gold Record
29. Idles - Ultra Mono
30. The Soft Pink Truth - Shall We Go On Sinning So That Grace May Increase?
31. Laura Marling - Song For Our Daughter
32. Sparks - A Steady Drip, Drip, Drip
33. Grimes - Anthropocene
34. U.S. Girls - Heavy Light
35. Khruangbin - Mordechai
36. Bill Fay - Countless Branches
37. Arca - KiCk i
38. Oneohtrix Point Never - Magic Oneohtrix Point Never
39. Shabaka and the Ancestors - We Are Sent Here By History
40. Nick Cave - Idiot Prayer: Nick Cave Alone at Alexandra Palace
41. Rose City Band - Summerlong
42. The Microphones - Microphones in 2020
43. Hum - Inlet
44. Jeff Parker - Suite for Max Brown
45. Mourning [A] Blackstar - The Cycle
46. Moor Mother - Circuit City
47. William Basinski - Lamentations
48. Adrianne Lenker - Songs
49. Adrianne Lenker - Instrumentals
50. Kelly Lee Owens - Inner Song
1 de março de 2020
Post-Post-Punk
Bush of Fire
28 de fevereiro de 2020
Wörd of Möuth
22 de fevereiro de 2020
Sepia Tone Songs
Perante a capa e o conteúdo de Crossroads - primeira e única obra do norte-americano Kenny Knight -, custa acreditar tratar-se de um disco editado em 1980. Em primeiro lugar, pela pose sonhadora e o look hirsuto a puxar ao hippie do artista; em segundo lugar, pela música, mais próxima dos territórios percorridos pelos Grateful Dead ou Byrds (especialmente Gene Clark) nos anos 60, que da New Wave reinante na altura do seu lançamento.Contudo, este anacronismo absoluto não prejudica em nada o disco, antes pelo contrário. Crossroads é uma belíssima colecção de canções que descendem directamente da linhagem Country & Folk norte-americana. Canções aparentemente simples e despretenciosas, mas que guardam uma melancolia agridoce e revelam uma mestria composicional que as torna intemporais.
Não existe nenhum tema fraco em Crossroads. Does He Hide, One Down e Carry Me Down são road songs em tons de sépia, que nos transportam para uma imensidão americana evocativa, em igual medida, de liberdade e solidão.
All My Memories, To Be Free e You Can Tell Me I'm Wrong são baladas contemplativas, marinadas num doce tempero psicadélico e destilando emoções em estado puro.
Depois há Whiskey, Country Rock sardónico servido com gelo. E America, canção de amor/ódio ao país do Tio Sam e cujo desencanto latente soa mais actual que nunca.
O tema mais pungente do disco será também aquele que mais destoa da sua toada geral. Jean, uma canção de amor sombria e dolente, cuja guitarra etérea cobre o desespero como um véu transparente.
Nunca saberemos se Kenny Knight seria capaz de repetir o estado de graça que assombra, transversalmente, Crossroads. Ao que consta, a parca atenção concedida ao álbum e o seu fracasso comercial, levaram a que o músico se livrasse das últimas cópias lançando-as para o lixo. Felizmente, a editora Paradise of Bachelors - especialista no resgate de raridades e obras obscuras - procedeu à sua reedição em 2015. Existe sempre tempo para descobrir pérolas musicais. E esta pérola não deixou o seu tempo definido.










